O FIM DE UMA ERA

 Estamos presenciando uma imensa liquidação, de proporções planetárias, de formas exteriores, falsas ideias, instituições hipócritas, atitudes egoístas e estagnações espirituais, ainda que os canais e as forças dessa liquidação sejam, eles próprios, tão maus que acarretam, durante algum tempo, um pior estado de coisas que o anterior.

Pois o bom está sendo desintegrado ao lado do mau, o verdadeiro está sendo varrido com o lixo e o belo também está sendo destruído. Nesta era de transição, quando as forças evolutivas pressionam a humanidade e atuam sobre ela, tanto de dentro quanto de fora, as características morais predominantes estão sendo, em toda parte, implacavelmente obrigadas a mostrar-se como realmente são, e sem disfarces.

Em toda parte, os homens estão colhendo, com dramática inevitabilidade, as consequências a que conduzem tais características. No fim, será tão impossível para eles esconder o que desejam, quanto evitar o que merecem. Imcumbe à lei da recompensa nesse século ajustar inexoravelmente as contas de todos os grupos e interesses que foram dominados pelo ego animalístico.

A história tornou-se dramaticamente apocalíptica. Este é, com efeito, o "dia" (isto é, o período) de juízo de que fala a Bíblia, o tempo em que os pratos da justiça estão em plena operação para todas as raças, todas as classes, todas as nações e todas as religiões. Estes são os pratos em que a estrutura edificada pela humanidade, e a própria humanidade, estão sendo pesados, medidos e aferidos.

O fervilhante fermento de nosso tempo continua. É um período de constante tumulto e de mudança incessante. Por quê? Porque a pressão evolutiva das forças ocultas em ação neste planeta está agora impaciente para desviar-nos de um passado obsoleto para um futuro criativamente novo.


A guerra e a paz são apenas o portal de uma nova era, muito embora essa mesma era ainda se encontre no extremo de uma longa avenida. As multidões da Ásia despertaram de seu longo letargo e principiaram a aproveitar com avidez as novas oportunidades de aprender a ler e escrever para se tornarem cidadãos mais instruídos do mundo. Os menos privilegiados dos cinco continentes têm insistido em exigir uma vida econômica melhor. As terras que dormiam um atraso medieval, despertadas pela guerra e pela crise, foram obrigadas a franquear o espírito a ideias novas e piores, assim como a ideias novas e melhores.

E isso porque o fermento universal está agitando tanto o mal quanto o bem, há tanto tempo latentes no espírito dos homens. A velha ordem do pensamento materialista, as velhas maneiras de encarar a vida, estão sendo trazidas rapidamente à superfície em suas formas mais extremas, apenas para serem, afinal, feitas inexoravelmente em pedaços pelo choque de eventos supreendentes.

Os homens são meros joguetes nesse tremendo processo, e não podem controlá-lo ou detê-lo. As forças kármicas e os processos evolutivos em atividade são imponderáveis ocultos, que fogem ao controle de qualquer indivíduo. Se virmos um determinado homem afeiçoando aparentemente o destino contemporâneo, isso não passará de aparência. Um homem assim será mero instrumento de poderes mais altos, sejam eles divinos e sagrados, sejam infernais e diabólicos.

Mas atrás de todas as questões secundárias e de todas as ramificações mais indignas, atrás da luta colossal entre as forças relativamente boas, que os puxam para cima, e as forças relativamente más, que os arrastam para baixo, está-se impondo a vontade da Ideia Universal.

A onda espiralada da evolução é infinita, e conduz o minusculamente pequeno para o inimaginavelmente grande. As numerosas células vivas que compõem os tecidos de nosso corpo evolverão um dia, e se transformarão em outros tantos seres humanos. 

Nestes tempos terríveis, a busca do Eu Supremo tem um valor destacado. O conhecimento de que leis mais altas ainda regem o mundo, e de que as forças do mal estão condenadas à autodestruição, salva, os que o possuem, do desespero e lhes incute esperança.

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