A PROTEÇÃO DO SUPER-EU

 Nosso eu mais íntimo se encontra sempre numa condição de paz intensa. Quando ao nosso redor rugir a tormenta dos aborrecimentos, repudiemos imediatamente as reações indesejáveis e procuremos focalizar nosso pensamento em busca do eu espiritual. A descoberta deste será também o atingimento de sua condição feliz. O bem está sempre presente, mas tem de ser procurado, sentido depois, e afinal reconhecido.

Nenhuma ocasião é mais propícia para encetar esta busca divina do que quando sobre nossas cabeças se desata uma avalanche de sombrios acontecimentos e corrosivas ansiedades. Pois então,  por uma imersão da mente na autobusca, poderemos demonstrar, de maneira impressionante e luminosa, o poder misterioso desse método.

Esta introversão da faculdade de introversão enfraquece, necessariamente, a força das emoções desarmônicas e desagradáveis que nos atacarem. O simples esforço para nos descobrirmos aproxima-nos da condição de sublime felicidade, em que habita o Eu real. É uma libertação.

O homem, como Super-Eu, é  isento de desejos, não está sujeito a nenhuma influência externa, nem é afetado por outro poder que não o poder divino. Portanto o Super-Eu nunca sente dor, nunca se zanga, nem pode ser afetado pela depressão ou medo. O homem, como eu pessoal, está cheio de desejos e aversões, reage constantemente às influências externas e identifica-se com elas.


Aceita as reações de seu corpo aos ambientes e pessoas que continuamente encontra, e a eles se ajusta como se de fato fossem propriamente seus. Ele aceita o que o corpo registra do medo, desejo, ira, repulsa, dor etc. Está tão alheio a sua própria natureza interna, que admite ser governado pelas tendências do corpo, e assim impede a expressão da energia e potencialidades divinas latentes em sua constituição espiritual.

Desde o momento em que permite à mente revestir-se de condições desagradáveis, o homem se torna escravo delas e deve arcar com as penalidades desagradáveis. Mas se, ao sentir os zuídos pessoais, ele persiste em volver sua atenção a seu centro interno, então as coisas externas começarão a perder seu poder de afetá-lo.

No grau em que a prática e o hábito tenham desenvolvido em si esta faculdade introspectiva, ele será capaz de eliminar as influências maléficas, quer provenham de outras pessoas ou dos ambientes circundantes, quer se apresentem sob a forma de moléstias ou circunstâncias incômodas.

Se abrirmos a porta de nossa submissão e consciência passiva às ocorrências discordantes, nos tornaremos suas infelizes vítimas. Se ao contrário lhes fecharmos as portas da mente e sujeitarmos nossa passividade ao bem harmonioso no centro de nosso ser, não precisaremos sofrer.

É nosso reconhecimento mental de nossa própria divindade o que traz a cura em suas asas e interiormente nos liberta do poder maléfico das circunstâncias adversas. Pode tomar várias formas o tipo de ajuda que assim recebemos. Proteção nas horas de perigo é uma delas. Todos os que realmente se entregam ao Poder Superior recebem sua ajuda protetora.


Índios queriam atacar uma igreja quaker na cidade de Easton, no estado de Nova York em 1775, numa radiante manhã de verão. "Índios chegam casa homem branco - disse o cacique apontando para a colônia com um dedo. - Índios querem matar homem branco, um, dois, três, seis, todos", e enfiou seu machado de guerra no cinto com ar agresssivo. "Índios chegam, veem homem branco sentado na casa; nenhuma espingarda, nenhuma flecha, nenhuma faca; todos quietos, todos parados, adorando o Grande Espírito. Grande Espírito dentro do índio também", ele disse apontando para seu peito. "Então Grande Espírito diz: Índios, não matar!"

A cura é uma outra forma em que pode se manifestar essa ajuda. A força vital do Super-Eu flui continuamente em cada elétron dos átomos que formam o corpo. É o Super-Eu que realmente dá a vida aos nossos corpos e os sustém. Sem sua presença invisível, nossos corpos cairiam mortos instantaneamente, como peças de matéria inerte. A máquina do corpo não poderia funcionar em suas invisíveis correias espirituais. E é o Super-Eu quem pode igualmente reparar e curar esses corpos.

O poder do Super-Eu está convosco aqui e agora; nada pode privar-vos de sua operação, a não ser vossa voluntária negligência, vossa própria dúvida. Segui o Caminho Secreto e apropriai-vos daquilo que já é vosso.

Todavia o homem não pode ditar à Inteligência Criadora que governa o mundo e que impregna sua vida, sobre a exata forma de ajuda que receberá, nem pode pedir sempre satisfação de suas necessidades pessoais, sem outras considerações superiores. Em última análise, o homem é um pensionista na Assistência Universal.

Ele pode sempre governar as circunstâncias, mas não pode governar sua resposta a elas. Se a realização espiritual nem sempre pode afastar de seu caminho as sombras da pobreza, doenças ou infortúnios, ela o dotará de coragem para enfrentar a pobreza, paciência para suportar as doenças e sabedoria para arrostar o infortúnio.

O homem que se integre cada vez mais nessa percepção de seu Eu mais profundo, se sentirá cada vez menos inclinado a importunar os poderes, seja para seu êxito, suas necessidades materiais ou suas inclinações sociais. Em vez disso ele sentirá a força protetora deste Eu; se algo lhe pedir será mais sabedoria, mais energia e mais amor. Possuindo estas coisas, ele sabe que pode deixar com segurança o resto para a divindade interna, que depois acudirá infalivelmente às suas reais necessidades, na hora certa.

O homem não passa de um medíocre enquanto não aprender a confiar nesse Poder Superior, o Eu real; enquanto não fizer desse Poder um fator vivo em sua visão e não apelar sempre para esse Eu em seu interior, em busca de inspiração.

Crede no eu pessoal e vos sentireis de pronto limitados; crede no Eu maior que realmente sois e podereis seguir triunfalmente até a vitória final. Em vossas mais serenas exaltações, realizareis esta profunda verdade: nunca estivestes realmente afastados de Deus!

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