A AJUDA ESPIRITIUAL EM ASSUNTOS MATERIAIS

 A algumas pessoas a prática espiritual pode parecer destituída de qualquer valor. Isso ocorrerá efetivamente, se forem destituídos de valor também o controle dos nervos perturbados, a paz mental e a tranquilidade do coração. Isso ocorrerá se forem destituídos de valor o equilíbrio interno e o autodomínio externo. Isso ocorrerá se nenhum valor tiverem a proteção divina e a ajuda providencial em todas as espécies de aflição, nem a cura misteriosa de moléstias e uma indicação estranha em momentos de perplexidade. 

As preocupações da vida nos absorvem constantemente a atenção. Enquanto uma frenética atividade domina a atenção do mundo, a sabedoria que vem da quietude mental se obscurece e desaparece. Quanto mais nos engolfamos no materialismo, mais densamente oculto se torna nosso ser divino.

Mesmo que o homem viva cercado de circunstâncias aparentemente intransponíveis, poderá conseguir uma correta direção para sua vida material, proteção divina nas horas de angústia e cura espiritual para seus males físicos.

Quem quer que haja descoberto o caminho secreto que conduz ao centro divino, poderá depois demonstrar sempre o fato desta descoberta pelo modo como ele contorna os obstáculos inevitáveis, as dificuldades inelutáveis e os frequentes dissabores que assaltam de quando em quando a vida humana. Para esse, iniciou-se uma vida superior.


O homem que ignore o Eu cria sua própria infelicidade. O mundo o manobra, em vez de ele manobrar o mundo. A vida se precipita, mais cedo ou mais tarde, com os pés crueis sobre o homem que conhece poucas ou muitas coisas, mas não conhece a si mesmo. Mesmo os mortos não escapam, pois a morte é apenas uma forma de vida.

Se o homem reconhecesse suas possibilidades divinas tão prontamente quanto reconhece suas limitações animais, depressa lhe chegariam dias áureos. Não oremos, pois, pedindo mais poder sobre os demais seres humanos, oremos antes pedindo o afastamento dessa crassa ignorância sobre nosso verdadeiro Eu.

Existem milhões de homens e mulheres que se sentem infelizes porque nunca aprenderam esta verdade, e são vítimas de sua própria deplorável ignorância. Sob a delicada face de suas vidas, estão cheios de descontentamento, estuantes de discórdia e seus corações não sentem paz.

Existe uma porta sempre aberta, de que poucos homens se dignam aproximar-se, porém pela qual todos terão de passar um dia. É a porta do Eu real do homem, cujos portais invisíveis têm de ser tateados e sentidos depois dentro dos misteriosos recessos do espírito humano. É nesses recessos sombreados que nascem os pensamentos e os sentimentos, e portanto podemos seguir nosso caminho até a entrada, ao longo da senda do pensamento ou sentimento guiados.

Mas uma vez tenhamos transposto o umbral e penetrado no silêncio interior, todas as perguntas perturbadoras terão suas respostas, todas as aspirações encontrarão ou ampla satisfação ou resignada compreensão, e todas as atribulações perigosas atrairão a divina força ante a qual se acalmarão.

É nesta inefável região interior que o homem há de encontrar sua máxima satisfação, sua beatitude final, sua segura proteção. 

A base racional destas coisas é facilmente explicável.  O homem é em si um universo em miniatura. Seu Super-Eu constitui o sol e seu eu pessoal desempenha o papel de lua. Assim como a lua empresta sua luz do sol, assim sua personalidade empresta do luminar central, o Super-Eu, a vitalidade e seus poderes de pensar e de sentir.


Os homens que vivem apenas em função da sabedoria e do ser de seu eu pessoal, assemelham-se aos homens que trabalham à noite sob a luz lunar, por não ver o sol. Os homens que vivem em função da sabedoria do Super-Eu podem também apreciar a contribuição da personalidade, porém atribuem-lhe um valor secundário.

Algo acontece ao homem que logra o verdadeiro autoconhecimento e autodomínio. Ele obtém uma visão diferente e vê a vida de uma nova posição vantajosa. Contempla o ruidoso panorama da existência confusa conturbada, mas conserva em si uma serena harmonia interior. As irritações que antes o apoquentavam desaparecem. As paixões que outrora o tiveram em suas garras se abrandam e são por sua vez alcançadas e submetidas por uma força superior.

O seguimento bem sucedido do Caminho Secreto libertará o homem, finalmente, dos desejos irrequietos, pensamentos descontrolados e ações irrefletidas. Embora o esforço requerido pareça grande, o prêmio espiritual o compensará, pois a condição misteriosa reveladora do Super-Eu desperto florecerá um dia dentro da alma do aspirante.

Nos plácidos momentos de quietude obteremos um grau de domínio próprio que acabará impregnando toda nossa vida diária, e saturará todas nossas ações. Este resultado é certo e científico. Lançai vossos pães de tempo e esforços nas águas da quietude mental, e eles retornarão centuplicados.

Uma vez que tenhais vos colocado nas mãos do interno Super-Eu, vossa vida começará a fluir serena e docemente. Internamente ela se assemelhará a uma tranquila corrente, mesmo que lá fora ainda rujam as tormentas. Vosso zelo pelo exato resultado de vossos assuntos não poderá ser maior do que o zelo que o Super-Eu tem por vós.

Assim, quando empunhais as rédeas, vossa orientação é amiúde ignorante e insensata; mas quando a divindade interna as empunha, sereis seguramente conduzidos acertadamente, pois ele é mais sábio que vós. Ofertai-lhe vossa irrestrita e espontânea submissão.

O que obtiverdes no período de quietude mental, poderá converter-se em força para viver e sabedoria para agir retamente.

Descobrireis que o Caminho Secreto da quietude mental será de utilidade em todo tipo de situação, seja agradável ou dolorosa, psíquica ou física. Podereis vacilar ou mesmo falhar em aplicar esse conhecimento, mas o Super-Eu é infinitamente paciente e estará pronto para dar-vos sua assistência em vossa própria senda, quando estiverdes preparado para invocar sua presença.

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