O MOMENTO DO DESPERTAR
Há certas experiências básicas de que o homem nunca se esquece. Uma delas é o primeiro dia em que ele ama uma mulher. Outra é o primeiro dia em que aporta num país estrangeiro. A terceira, e a maior de todas, é a primeira vez em que rompe a crisálida de seu ser para emergir como uma consciente unidade espiritual.
O Super-Eu nada pede ao homem, senão que abra seus olhos internos para perceber sua existência. Contudo, o dia dessa visão é o mais glorioso de toda sua vida, pois nesse dia ele se vê à beira da eternidade.
Foi, com efeito, para isto que ele nasceu, e não simplesmente para consertar sapatos ou lidar com algarismos. Mesmo que ele negligencie esta divina experiência, a própria Natureza não o deixará escapar. Entretanto, ela não se apressa. Em alguma parte de seu vasto reino, ela o apanhará e o impelirá a preencher seu secreto propósito.
Quem quer que se empenhe nessa exploração interna, não é um sonhador; ele apenas antecipa hoje o que a multidão humana terá que fazer amanhã.
Memorável é a grandiosidade daquele augusto momento, em que o homem contempla pela primeira vez a divindade que o circunda, porém que paradoxalmente se acha no âmago de seu ser.
Uma vez que empurremos a porta da mente e a mantenhamos ligeiramente entreaberta, e deixemos a corrente de luz penetrar, o significado da vida se nos revela silenciosamente. A porta pode ser aberta por um minuto ou por uma hora, que nesse período descobriremos o segredo, e nem o monótono tempo nem a amarga aflição poderá arrancar-nos aquele inestimável conhecimento.

As palavras me caem como folhas mortas quando tento expressar este significado, mas quem quer que sinta todo seu ser diluir-se e dissolver-se no misterioso Infinito durante a meditação, como resultado de sua constante aspiração ou da graça de algum Adepto, compreenderá este pensamento, que com dificuldade procuro transmitir.
Na serena presença desse imenso poder, a alma caminha mansinha. Esta iluminação da mente e do coração é o mais maravilhoso momento da vida do homem ou da mulher. Descubri vosso Super-Eu e começareis a descobrir o significado da vida e a desvendar o mistério do universo.
Atrás de cada um de nós está esse Super-Eu: calmo como o tranquilo firmamento, sábio com as experiências naturais acumuladas durante milhões de anos de existências, forte com o poder de proporcionar-vos o melhor que a vida tem a oferecer.
Aqueles de nós que lograram um rápido olhar através da porta de seu ser, sentiram-se emudecidos. Recuam, surpresos, ante as inescrutáveis possibilidades do Super-Eu. Sendo um ser espiritual, o homem possui uma capacidade infinita para a sabedoria, estonteantes recursos de felicidade.
Dentro de si próprio, contém todo o infinito divino, e no entanto contenta-se em prosseguir e entreter-se com insignificantes migalhas da vida, como se fosse um mero inseto humano. Quando o homem alcança os pináculos da verdade, é capaz de satisfazer a si próprio, de obter de dentro de si aquela felicidade que até então buscou nas coisas externas.
Verdade, Beleza, Paz, Poder e Sabedoria são todos atributos do Super-Eu, esse eu que aguarda que o descubramos. O eu divino partilha o que quer que haja de idealismo, introspecção e nobreza em nós. Contudo temos de aprender o verdadeiro significado do verbo ser.
Nas profundezas de nosso miraculoso ser, podemos descobrir que somos partes de uma grande vida, cuja condição é de eterna paz, cujo propósito é sumamente benévolo e cuja existência jamais perecerá.
O eu espiritual do homem permanece inalterável e imperturbável em toda sua grandeza, enquanto seu eu pessoal passa pelas maiores vicissitudes da fortuna. É o indestrutível elemento nele, a testemunha silenciosa e eterna de quem um dia ele há de se aproximar para lhe prestar suas homenagens. É uma luz que nenhuma força pode extinguir. É o espirito imortal do homem, benigno e tolerante, belo e imutável.
Estamos tão próximos do deus interno como sempre o estivemos. Tudo que necessitamos fazer é conhecê-lo provando e experimentando. A alma incuba em segredo seu grande tesouro; ingressamos no recesso de nosso ser e desvendamos os diamantes e rubis ali ocultos.
O Super-Eu é o verdadeiro ser, o divino habitante deste corpo, a Testemunha Silenciosa no interior do homem. O ser humano vive a todo instante na presença desse divino eu, mas a membrana da ignorância se estende sobre ele e lhe cobre a vista e a razão.

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