PACIFISMO À LUZ DA AMEAÇA NUCLEAR

 

A ameaça da bomba nuclear criou uma situação tão inteiramente nova que as velhas ideias sobre defesa têm de ser abandonadas. Anteriormente era lógico e moralmente correto responder à violência com violência, mas agora é suicídio e moralmente errado agir assim.

No passado, uma agressão internacional acompanhada pela violência tinha de ser encarada com a defesa nacional acompanhada pela força. O resultado era inevitavelmente a guerra. Era algo ruim, mas melhor que render-se ao mal. No presente, isto não é mais verdadeiro. O uso de força nuclear na Guerra é um ato completamente imoral por causa da escala de destruição que alcançará homens, mulheres e crianças, e porque as consequências que seguirão serão mais selvagens que qualquer sistema de governo atual, seja capitalismo ou comunismo.

Aqueles que pregam que a próxima guerra não será necessariamente nuclear falam como tontos. Quando um tal poder se encontra ao alcance dos homens, eles não resistirão à tentação de usá-lo. Metade da humanidade morrerá, com o suicídio inclusive dos assassinos.

É prático e realista tornar este planeta um gigante incinerador? E é isso que os líderes mundiais insistem em fazer ao fabricar as bombas atômicas. Nada poderia ser mais prático que destruir essas bombas a fim de garantir nossa sobrevivência.

A prática do pacifismo não violento nesse momento da história, em que a ameaça de guerra nuclear é uma realidade, não significa render-se, mas sim uma nova maneira de lutar que usa armas espirituais em vez das físicas. Enquanto a guerra nuclear destruirá ambos os lados, esse novo caminho salvará ambos. Salvará suas vidas e suas civilizações. Mais, dará um tremendo impulso ao lado que tentá-lo primeiro e no final também elevará a outra parte.

Ou nos desarmamos e buscamos a paz nos mais aceitáveis termos que pudermos – não importa quão opressivos possam ser – ou continuamos a corrida nuclear até que termine inevitavelmente em guerra nuclear. Com a primeira alternativa, podemos nos encontrar – se o pior acontecer – numa situação próxima da rendição. Suas consequências podem incluir educação ateísta para os jovens e o desaparecimento de tudo que é belo e espiritual em nossa civilização. Mas continuaríamos existindo e depois de algum tempo as influências recíprocas começariam a aparecer. Com a segunda alternativa, lutando para defender nosso estilo de vida com as armas atômicas, estaríamos usando um meio mau para uma finalidade boa.

O remédio é simples: parem de fabricar bombas e outras armas atômicas, parem de usar o átomo para propósitos militares. Isso pode parecer não realista, mas é o único meio de escapar a um destino inevitável, terrível demais para ser descrito.

Vivemos tempos apocalípticos, como a história já está revelando. O chamamento hoje é para deixarmos a materialidade em favor da santidade, a frivolidade e loucura em favor dos propósitos mais elevados da vida. Aqueles que sentem em seu coração esse chamado, mesmo que fraco, devem se ater a essa intuição e deixa-la ser seu guia.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O QUE É O CAMINHO LONGO - Paul Brunton

O ESTADO DE AUSÊNCIA DE EGO - Paul Brunton

A AÇÃO DO EU SUPERIOR - Paul Brunton