O MISTERIOSO SUPER-EU
Santos e sábios, pensadores e filósofos, sacerdotes e cientistas - todos eles, no decorrer dos séculos, tentaram decifrar a enigmática natureza da alma humana. Descobriram no homem um ser paradoxal, capaz de baixar aos abismos mais profundos da perversidade, e contudo suscetível de elevar-se aos cumes mais sublimes da nobreza.
Encontraram nele duas criaturas: uma aparenta os demônios, outra próxima dos anjos. O homem está tão admiravelmente constituído que pode arrancar de sua própria natureza as coisas mais admiráveis como as mais hediondas.
Somos porventura simples blocos de matéria animada? Não terá o homem berço superior ao da carne? Ou talvez sejamos entidades espirituais, belas e radiantes saídas do seio de Deus e temporariamente alojados nos corpos que nos limitam? Ou, como pensa muita gente, nada mais somos do que macacos aperfeiçoados, de traços feios que revelam nossa descendência, ou como alguns acreditam, nada menos do que anjos decaídos?
Devemos fatalmente ser presas indefesas do tempo, destinados apenas a surgir em qualquer obscuro canto do planeta para desaparecer em seguida? É possível obter uma solução satisfatória a esses problemas tão perturbadores?
As penas mais fluentes, as linguagens mais prolixas e os cérebros mais perspicazes procuraram sondar este mistério e a humanidade continua andando às cegas em busca de resposta que tarda.
O homem - imagem da dúvida e do desespero - marcha titubeando pela solidão glacial do mundo e ri cinicamente ante o nome de Deus. O desespero, porém, é filho infausto da ignorância.
Deus acendeu uma faísca da Luz Divina no coração de cada criancinha recém-nascida e essa Luz deve ser acesa. Nós a ocultamos tanto em envoltórios de ignorância que não a enxergamos mais e no entanto precisamos desvendá-la. Nenhum clamor de coração sincero é dado em vão, e se nossa prece for como deve ser - o Deus de nosso próprio coração nos responderá.
Quando o homem começa a aplicar sua inteligência no problema de si mesmo, automaticamente resolve os problemas paralelos de Deus, Vida, Alma, Felicidade etc. A noção de que o homem é apenas a forma carnal é muito mesquinha, porém muitos, senão a maioria, a consideram verdadeira e encaram a possibilidade de sobrevivência depois da morte como algo ridículo.
Abanam a cabeça e declaram que não podem compreender o mistério do Espírito, mas prontamente aceitarão a matéria, cuja essência não é menos misteriosa. As pessoas se equivocam ao pensar que a condição da mentalidade humana representa sua última etapa.
É bem verdade que no homem há regiões obscuras e turvas onde rastejam criaturas estranhas e abjetas; mas também existem nele lugares radiantes donde a alma empreende rapidamente seu voo. O psicanalista que descobre apenas as primeiras... é porque isso é o que estava buscando.
Nas tradições orais que nos foram legadas por nossos antepassados através de toda a literatura mundial, desde os primeiros manuscritos arcaicos do Oriente, até nossas mais recentes edições modernas, há sempre uma estranha e persistente alusão velada à existência de um "outro eu" no homem.
Seja qual for o nome que se dê a esse estranho "eu", quer seja alma, sopro, espírito... pouco importa. As afirmações de experiência feitas por Videntes espirituais devem ser bem examinadas. Ou não passam de tolices de lunáticos irreparáveis ou são palavras de tal importância que põem por terra a presente base materialista de nossa vida.

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