CRIME E PUNIÇÃO
Quando os homens abusam de sua liberdade para cometer crimes, nós a retiramos e os colocamos na prisão. Mas a punição legal tem dois graves defeitos: não busca a reeducação moral juntamente com a punição física, e não diferencia o pecador arrependido do não arrependido. O criminoso é apenas um homem que interpretou errado a vida, falhou em sua autodisciplina, aceitou as sugestões de um ambiente mau ou foi ferido por um impiedoso sistema social. Não é suficiente a retribuição. A sociedade deve ajudá-lo a mudar seu padrão de vida, melhorar a si mesmo e reestabelecer seu sentido ético.
As prisões não devem ser meramente instituições penais, mas também educativas. Todo prisioneiro deveria receber algum tipo de instrução que elevasse seu caráter, ao invés de piorá-lo ainda mais como frequentemente acontece.
Todas as pessoas agressivas e antissociais revelam com suas atitudes que são ainda crianças na compreensão da vida. Há dois modos de pensar sobre como deve ser seu tratamento. Elas erraram e devem ser punidas, e elas erraram e devem ser perdoadas. Pensar assim simplifica demais o problema e não resolve. O primeiro modo de pensar é sádico, o segundo sentimental. Nenhum dos dois é sábio. A filosofia diz que não devemos punir o criminoso a ponto de provocar seu desejo de vingança através de tratamento duro. Mas também não devemos deixá-lo livre pensando que seus atos errados não resultam em nenhuma consequência.
Os criminosos – sejam indivíduos ou nações – devem ser punidos para seu próprio bem, para mudarem seu comportamento, como também para proteger-se a sociedade. Se forem deixados sem punição, nós os prejudicamos, pois falharão em entender que o crime não compensa. Algumas vezes uma criança má merece apanhar, mas assim como não odiamos uma criança ao fazer isso, também não devemos odiar os criminosos que erraram quando os estamos punindo. Tudo deve ser feito num espírito de educação, de modo impessoal, com calma, sem ódio, mas com firme determinação de ensiná-lo a lição de suas próprias experiências – a verdade de que o crime não compensa.
Sim, devem ser perdoados, mas o perdão deve vir no momento certo e à pessoa certa. De outro modo, a virtude do perdão se converte num vício. Devemos mostrar piedade apenas quando existem sinais de verdadeiro arrependimento e na proporção do grau de tal arrependimento. Por exemplo, aqueles que cometem um assassinato cometem o maior dos crimes. Eles devem mostrar o maior arrependimento. Devem rejeitar com sinceridade seu mau passado e demonstrar convincentemente sua mudança de coração através de provas tangíveis.
Ao notarmos que sua consciência renasce, assim como o reconhecimento arrependido de ter agido mal e o honesto reconhecimento da culpa, quando o criminoso expressa genuinamente estar sofrendo por seus crimes passados e mostra sincero arrependimento, será correto e apropriado trata-lo com misericórdia e perdão, para ajuda-lo a começar uma vida nova. Mas aqueles indivíduos que não agem assim, que apenas ficam ressentidos e desejosos de vingança, seu tratamento deve ser duro e punitivo. A menos que se arrependam, não há outra opção a não ser tratá-los com firmeza para ajudá-los a se purificarem. De outro modo, lhes causaremos mais mal e o levaremos a repetir seu crime.
O criminoso deve pagar hoje pelo que fez ontem, mas se reconhecer seu erro e se arrepender em seu coração, lutando para corrigir seu comportamento, neste caso o novo karma se manifesta e modifica sua vida.
Podemos perdoar os criminosos e ainda assim puni-los pelo comportamento errado, se esse for nosso dever, ou limitarmos sua liberdade para que não tenham oportunidade de errar novamente, se esse também for nosso dever. Se mantemos nosso coração sem ódio, podemos punir o criminoso e impedir que ele cometa novos erros. Durante a guerra, tornou-se necessário às pessoas espiritualizadas aprender a lutar contra o cruel agressor com a atitude correta; de modo paradoxal tiveram de aprender a atirar ou matar sem ódio, sentindo profunda piedade por sua escuridão moral.
Uma alternativa ao prisioneiro que não se arrepende seria colocá-lo numa dieta de semi-inanição. Assim sua fraqueza física afetaria sua agressividade mental e a reduziria.

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