A IDADE DO GÊNERO HUMANO E O EU VERDADEIRO

 Temos nos esquecido de nosso Eu espiritual que, entretanto, nunca nos esquece na sua eterna vigília. Por que será que o homem sente a nostalgia da religião? Por que amamos a nós mesmos e instintivamente aspiramos à união com nosso verdadeiro ser?

O gênero humano tem a idade que desafia a imaginação. Inúmeros seres, homens, mulheres e crianças que surgiram no decorrer dos eons em nosso planeta, depois de haverem desempenhado seu papel, desapareceram sumindo no sono eterno.

Os maiores cérebros, os intelectos mais brilhantes de nosso tempo, pesquisam afanosamente em documentos deixados pelas raças de outrora vestígios de civilizações desaparecidas e segredos de um passado fértil em cataclismos.

O visionário porém apenas sorri dos admiráveis e patéticos esforços empregados na reconstituição intelectual de um passado que desafia a razão por se estender ao infinito. 

Se seguirmos os videntes pelos eons agora penetrando nas mais sombrias regiões da antiguidade pré-histórica, atingiremos um período em que o homem eliminava inteiramente seu corpo de carne e habitava uma forma eletromagnética, um corpo radiante de éter.


Recuando ainda mais, notaremos uma mudança produzir-se em sua natureza interna, em que as paixões, emoções pessoais, todos os sentimentos e desejos, medo, repulsa, ódio, cobiça, luxúria e inveja desapareceram totalmente. 

Mas em sua consciência ainda atuavam pensamentos, que levantavam ondas na superfície de sua mente e se ligavam a sua vida pessoal. E assim o faremos recuar a uma época em que predominam os pensamentos serenos e desaparece a necessidade de pensar numa sequência lógica para adquirir compreensão.

Não apenas ele não tinha mais a necessidade da faculdade raciocinadora, mas esta lhe era um obstáculo. O homem havia alcançado a condição nua do puro Espírito. A raça humana, no decorrer de sua extensa história, superpôs um segundo eu à natureza individual com que todos os homens principiaram sua peregrinação.

Este segundo eu, geralmente chamado pessoa, veio à existência através da união do espírito e matéria, através da mistura de partículas da consciência do Eu real, sempre consciente, com as partículas de matéria inconsciente, extraídas do corpo.

Este segundo e último eu é aquele que todos conhecemos, o eu pessoal; mas o primeiro e verdadeiro Eu, que existia antes que o pensar e o sentir aparecessem dentro do ser humano, é aquele que poucos conhecem, que é sutil e não tão evidente, porque nos torna a todos partícipes da natureza da divindade.

Ele vive sempre sobre nossas cabeças, é um ser angelical de inimaginável grandeza e misteriosa sublimidade, e por isso o chamamos Super-Eu. Por detrás do homem que vemos, há um outro ser oculto; por detrás deste corpo carnal vive a conscência resplandecente e pura.

Essa doutrina do verdadeiro Eu no homem foi admiravelmente definida por um dos antigos videntes da Índia: "Invisível mas vendo, não ouvido mas ouvindo, inapercebido mas percebendo, desconhecido mas conhecendo... Esse é teu Eu, o governante interno, o imortal".

O materialista jamais se cansa de nos repetir quão tolo é o visionário que tenta agarrar as nuvens, e o Super-Eu sentado no coração do zombeteiro sorri tolerantemente de toda sua tagarelice lógica.

Nas profundezas mais íntimas de nosso ser é que vivemos a vida real, e não na máscara superficial da personalidade que mostramos. É mais importante o ser vivente do que sua casa de pedra e cal.

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