UMA TÉCNICA DE AUTO-ANÁLISE
Comodamente sentado numa cadeira, ou de pernas à oriental sobre um tapete, respirando tranquila e regularmente, fechai os olhos e deixai vossos pensamentos trabalharem na pergunta do que realmente sois.
Estais prestes a iniciar vossa grande aventura de conhecer a vós mesmo. A chave do êxito será em pensar lentamente. A velocidade da roda da mente deve ser reduzida e isso a incapacitará a correr de uma coisa para outra, como o fazia antes.
Pensai lentamente. Depois formulai vossas palavras mentalmente, com muito cuidado e precisão. Escolhei e selecionai cada palavra cuidadosamente. Esta prática clareará vosso pensamento, pois enquanto não o fizerdes não podereis achar uma frase clara e definida para expressá-lo.
Primeiro vigiai vosso intelecto em operação. Notai como os pensamentos acompanham um ao outro em infindável sequência. Depois procurai compreender que há alguém que pensa. Agora perguntai: Quem é o pensador? Quem é este eu que dorme e acorda; que pensa e sente; que trabalha e fala? O que é que está em nós e o chamamos o eu?
Os que julgam que a matéria é a única existente vos dirão que sois o corpo e que o sentimento do "eu sou" surge dentro do cérebro ao nascer e desaparece na morte.
Evocar o homem verdadeiro dentro de nós é evocar nossa inteligência espiritual. Quando pudermos entender o que há por trás dos olhos que nos miram no espelho cada manhã, entenderemos então o mistério da vida.
Quando o homem começa a perguntar o que ele é, já deu o primeiro passo num caminho que não terminará enquanto não obtiver a resposta. Porque o homem enfrenta a sua mente e procura arrancar o veu que a encobre, seu esforço persistente obterá seu justo prêmio.
Descobrirá finalmente que existe uma parte de si mesmo que recebe o fluxo de impressões do mundo exterior, bem como os sentimentos e pensamentos nascidos dessas impressões. Esta parte mais profunda é o verdadeiro eu do homem, a testemunha invisível, o espectador silencioso, o Super-eu.
O corpo se transforma, ele se debilita ou fortalece, permanece são ou adoece. A mente se transforma; sua visão se altera com o tempo, suas ideias estão sempre fluindo. Mas a consciência do eu subsiste do berço ao túmulo, inalterável.
O sentimento "eu sou" não pode desaparecer. Portanto conhecer a si mesmo equivale a encontrar o ponto da consciência do qual se possa observar estes estados em mutação.
O primeiro passo portanto consiste em analisar a constituição do homem. Começamos por descer às raízes de nós mesmos, pois é ali que reside o divino.
Donde vem esta consciência do eu? Ela persiste em todos os estados mutáveis da mente, resiste a todos os fluxos de sentimentos, sobrevive a todos os incidentes e vence o tempo.
Acaso surge do nosso corpo? Não, a psicologia supranormal e o espiritualismo se unem para dizer-nos que é independente da carne. A ligação entre a mente e o corpo é tão íntima que a concepção popular, seja culta ou não, tem aceito prontamente a suposição de que o cérebro é a mente e o corpo é o eu, contudo isso não passa de uma suposição.
Os sentimentos também não são o eu, uma vez que sentimentos, desejos e paixões nos lançam de um lado para outro, mas o eu subsiste permanentemente. Se o eu pode divorciar-se das emoções desta maneira e contudo continuar sua existência, então o eu e as emoções são duas coisas diferentes. Não podemos considerar os sentimentos, desejos, temores, simpatias e antipatias e outros estados emocionais como sendo nosso ser real.
Quanto ao intelecto, é aquilo que pensa dentro de nós. Não é nosso eu, e isto é indicado pelo fato de que enquanto pensamos, sentimos vagamente que algo em nós vigia quietamente nossos pensamentos.
Ademais, as atitudes mentais estão em constantes mutações. Um dia temos uma opinião e no dia seguinte podemos sustentar o contrário. Como então aceitar que o intelecto representa o eu? Porque a consciência do eu permanece inalterada enquanto nossa maneira de pensar sofre grandes transformações.
Além do mais, quando refletimos certo tempo sobre alguma coisa, sentimos que algo em nós controla os pensamentos - aceita uns e rejeita outros. Quem é que pensa?
Um dos resultados desta meditação é capacitar-nos para observa como funciona em relação ao eu a máquina intelectual, emocional e física, e colocar-nos à margem do nosso eu pessoal.

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