A GRAÇA DO SUPER-EU
Ao aspirante que praticar seus exercícios de meditação, auto-observação ou auto-recordação, um dia a verdadeira consciência chegará a ele, silenciosa, suave e seguramente.
Esse dia não pode ser predeterminado. Poderá vir logo no início de seus esforços, ou somente após longos anos de luta decepcionante. Pois depende de uma manifestação de Graça de parte do Super-eu, de uma energia mais profunda do que a sua vontade pessoal, que agora começa a participar deste jogo celeste.
Uma vez que a Graça atue num homem, não há como escapar. Silenciosa, gradativa mas perceptivelmente ela o conduz para o interior.
Não me agrada muito empregar o termo Graça, por suas implicações teológicas, mas me esforçarei por emprestar-lhe um significado baseado em experiências espirituais comprováveis e não numa crença cega.
Graça é o pré-requisito essencial para a iluminação. Contudo não podeis propiciá-la, só o pode fazer vosso Super-eu ou um verdadeiro Adepto. A Graça pode cair com espantosa e inesperada celeridade num homem que tenha vivido o que o mundo chamaria uma vida pecaminosa.
A Graça pode afastar-se de um homem que tenha passado vinte anos estudando obras sobre religião e filosofia. Sua operação é amiúde obscura, às vezes súbita e misteriosa, e não raro secreta para outros homens.
Contudo para todos ela não é uma força arbitrária. Possui suas próprias leis e maneiras de operar, porém só um verdadeiro Adepto está em condições de verificá-las.
Tenho ouvido falar de uns poucos que obtêm a Graça sem trabalhos nem sacrifícios. Estes poucos que a recebem aparentemente como uma súbita dádiva, caída dos céus, não significam nenhuma exceção. A diferença é que suas aspirações foram expressas e ouvidas em existências anteriores, em outras encarnações.
O destino tem algo a fazer com a matéria e ministra detalhadas explicações de seu comportamente aparentemente errático somente às almas ardentes que obtiveram seu segredo.
Quando a Graça desponta de nosso próprio Super-eu, este desperta um certo anseio no coração e começa a conduzir nossos pensamentos por certos canais. Nós nos tornamos satisfeitos com a vida tal qual ela é; principiamos a aspirar algo melhor, iniciamos uma busca de uma Verdade superior à crença que até então nos sustentou.
Devemos nos atirar prostrados aos pés do Super-eu e suplicar sua Graça. Quando em nosso coração se desperta o fogo da aspiração divina, podemos saber que nos foi concedido um pouquinho da Graça.
Nós, os servidores desse majestoso Monarca, devemos aguardar seu beneplácito. A Graça é uma dádiva, um favor a receber das mãos do deus interno. Todavia ela não pode descer em qualquer momento arbitrário. Via de regra, ela vem quando estão amadurecidas as condições corpóreas, ambientais e experimentais.
Não somos nós, mas o Super-eu quem escolhe a sua hora.
O amadurecimento da alma para esta profunda experiência da união com o Super-eu se opera gradativamente, tal qual o amadurecimento de uma fruta. Mas tão logo esteja completo o crescimento, a união subjuga a alma súbita e irresistivelmente, e o homem realmente nasce de novo.

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