A SENDA DA CONCENTRAÇÃO

 A senda da concentração é fácil de descrever, mas difícil de praticar. O que devemos fazer antes de mais nada é esforçar-nos em afastar de nossa mente todo e qualquer pensamento que não seja a única linha de reflexão que fixamos como o tema de nossa concentração.

O controle do pensamento é difícil de se obter e suas dificuldades nos surpreenderão. Nosso cérebro se rebelará. Tal qual o mar, a mente humana está incessantemente ativa. Mas tal controle pode ser feito.

No centro do nosso ser mora esse Eu maravilhoso, porém para atingi-lo temos de abrir um canal através dos pensamentos que o cercam e que nos fazem prestar atenção incessante ao mundo material, tomando-o como única realidade.

Gostamos tanto de recolher-nos ao nosso interior e deixar a mente repousar em si mesma - não no mundo dos sentidos físicos - como de sermos despertados ao alarme do despertador pela manhã.

Nós, os homens modernos, já começamos a dominar a Natureza, mas ainda não aprendemos a dominar a nós mesmos. Ondas infindáveis de pensamentos nos perseguem e oprimem; atormentam-nos durante as insônicas da noite e durante todo o dia permanecem grudados sobre nós.


Se pudéssemos ao menos aprender o segredo de seu domínio e supressão, poderíamos mergulhar num maravilhoso repouso, numa grande paz. Os cinco sentidos nos prendem ao mundo material e querem um contato físico constante em forma de objetos, pessoas, livros, divertimentos, viagens e atividades de toda espécie.

Só podemos matar o inimigo nos momentos em que os sentidos guardam silêncio. Quando tentamos o repouso mental, eles protestam imediatamente e gritam: "Queremos ficar no mundo que conhecemos; temos medo de meditação e desse além desconhecido; é natural que nos agarremos ao mundo da matéria; deixem-nos".

E assim fazem o possível para nos manter presos ao mundo sensorial. É essa a verdadeira razão pela qual cremos que a meditação não nos agrada e nos afastamos dela quando o momento de realiza-la chega. São os nossos sentidos que se opõem e não nós, assim devemos lutar contra eles e tentar dominá-los. Primeiro vem o esforço mental, depois a quietude compensadora.

Dominar a mente é dominar a si próprio. A alma que controla a maré crescente e sempre ativa dos pensamentos pode vestir a farda de capitão e dar ordens a toda a Natureza.

O poder de se manter tenazmente numa linha de pensamento, aferrando-se a ela como o aguilhão do escorpião, eis o que se chama poder de concentração, a força que faz dos homens verdadeiros AMOS E SENHORES DO PENSAMENTO.

Advertência: Quando a debilidade moral e o desequilíbrio emocional se unem à prática da meditação, o resultado será a regressão da mente ao estado de mediunidade e jamais a elevação da mente até a espiritualidade. A prática da meditação não acompanhada dos princípios éticos e intelectuais pode levar a um engano sobre si mesmo, ao aumento do egoísmo, à alucinação e finalmente à loucura.

Recomenda-se portanto ao aspirante não buscar o caminho rápido e fácil de chegar às experiências ditas ocultas, mas sim um cuidadoso enobrecimento do caráter, a firmeza de atacar pela raiz seus erros e um harmonioso equilíbrio entre a intuição, a emoção, o pensamento e a ação.


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