PARA DESPERTAR A INTUIÇÃO - Paul Brunton

 

Após praticar pranayama moderada e suavemente, confortavelmente sentado ou deitado, o estudante deve dirigir um pergunta à misteriosa escuridão que envolve sua mente:
- Quem sou eu?
- Quem é este ser, que habita dentro deste corpo?

Que o estudante dirija essas perguntas a si próprio, lentamente, e com intensa concentração de alma. Depois aguarde uns minutos, meditando silenciosamente e sem esforço nessas perguntas.

A seguir, que faça um silencioso e humilde pedido, uma meia-prece se o prefere, dirigido ao Eu interno no próprio centro de seu ser, para que lhe revele sua existência. As palavras deste pedido podem ser suas próprias, mas têm de ser simples, breves e diretas. “Pedi e vos será dado”, foi a indicação de Jesus a seus ouvintes.

Havendo feito o pedido ou prece, que pare e aguarde confiantemente uma resposta, embora com humildade. Humildade é o primeiro passo na senda secreta – e também será o último. Porque, antes de a Divindade começar a instruí-lo através de sua auto-revelação, o estudante tem de se tornar instruível, isto é, humilde.

A instrução intelectual é uma coisa admirável, mas o orgulho intelectual levanta uma forte barreira entre ele e a vida superior que está sempre chamando por ele, embora silenciosamente. Os intelectuais orgulhosos se sentam em seus débeis pedestais e esperam ser adorados, quando existe a todo tempo uma Divindade habitando nas profundezas de seus corações, e que é a única digna de adorações.

Durante essa pausa, que se segue à sua indagação silenciosa, ele deve suspender seus pensamentos para poder adotar uma atitude de “escutar” uma resposta. Depois de esperar uns dois minutos, ele pode repetir sua indagação e depois parar de novo. Após mais outro período, pode repetir pela terceira e última vez.

Então deve esperar com paciência e expectativa, durante uma período de cerca de cinco minutos, com seu corpo parado, sua respiração lenta e calma, e sua mente serena. Este é o final de sua meditação.

A chave para uma correta compreensão desta etapa está em lembrar que o que mais importa agora é a reação subconsciente ao esforço consciente do estudante. É como tocar a campainha de uma porta; agora o estudante deve aguardar que o subconsciente apareça.

O estudante pode passar um período em que não venha nenhuma resposta, em que apenas o “vazio” reine supremo dentro de sua alma. Mas essa fase passará, é importante a paciência. Devemos aguardar humildemente a revelação do Infinito que está dentro de nós.
Daqui em diante, deve o estudante atentar cuidadosamente para os primeiros sinais e indícios confirmatórios de que ele está no caminho certo. Esses sinais são mostrados pela alma, mas muitas vezes são mal interpretados ou passam desapercebidos.


A voz do Super-Eu sopra num sussurro discreto e temos de escutá-la atentamente se quisermos ouvi-la. A resposta da intuição despertando tanto pode vir no decorrer do primeiro exercício que se faça, como só depois de semanas ou meses de prática diária.

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