DIÁLOGO ENTRE SRI RÁMANA MAHARSHI E PAUL BRUNTON NA DÉCADA DE 1930

 Monge budista: O mundo está num estado de degeneração. Está ficando constantemente pior, espiritualmente, moralmente e intelectualmente. Virá um guru salvá-lo do caos?


M: Inevitavelmente, quando a bondade declina e a maldade prevalece, Ele vem para resgatar a bondade. O mundo não é nem muito bom nem muito mau; é uma mistura dos dois.

Monge: Ele nascerá no Oriente ou no Ocidente?

O Maharshi riu a esta pergunta, mas não a respondeu.

Brunton: O Maharshi sabe se o Avatar já existe no corpo físico?

M: Talvez.



Brunton: Qual é o melhor caminho para chegar à Divindade?

M: Auto-investigação leva à auto-realização.

Brunton: Um guru é necessário para o progresso espiritual?

M: Sim.

Brunton: É possível para o guru ajudar o discípulo no caminho?

M: Sim.

Brunton: Quais são as condições para o discipulado?

M: Intenso desejo de auto-realização, sinceridade e pureza mental.

Brunton: É necessário entregar a própria vida ao guru?

M: Sim, a pessoa deve entregar tudo ao Dispersador da Escuridão. Abandonar a consciência do corpo é a verdadeira entrega.

Brunton: Um guru quer controlar os negócios mundanos do discípulo também?

M: Sim, tudo.

Brunton: Ele pode dar ao discípulo a faísca que ele necessita?

M: Ele pode dar tudo que ele necessita.

Brunton: É necessário estar em contato físico com o guru, e se assim for, por quanto tempo?

M: Depende da maturidade do discípulo. A pólvora pega fogo num instante, mas leva tempo para acender o carvão.

B: É possível desenvolver-se no caminho espiritual enquanto se leva uma vida ativa?

M: Não há conflito entre trabalho e sabedoria. Pelo contrário, trabalho inegoísta pavimenta o caminho para o autoconhecimento.

B: Se uma pessoa trabalha, isto lhe deixa pouco tempo para meditar.

M: Apenas os novatos espirituais precisam de um tempo especial para meditar. A pessoa mais avançada desfruta da Bem-Aventurança quer esteja trabalhando ou não. Enquanto suas mãos estão no mundo, ele pode manter sua cabeça no frescor da solidão.

Monge: O mundo será rejuvenescido?

M: Existe Alguém que governa o mundo e é responsabilidade d’Ele cuidar do mundo. Aquele que o criou sabe como guiá-lo também.

Monge: O mundo está progredindo agora?

M: Se nós progredimos, o mundo progride. Assim como você é, o mundo também é. Sem compreender o Eu, de que serve compreender o mundo? Sem autoconhecimento, é inútil o conhecimento do mundo. Mergulhe no interior e encontre o tesouro escondido ali. Abra seu coração e veja o mundo através dos olhos do verdadeiro Eu. Rasgue os véus e veja a divina majestade de seu próprio Eu.

Brunton e o Maharshi

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