A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - Paul Brunton
Uma concepção do mundo errada e materialista, com base em fundamentos metafísicos falaciosos, resultou nos espantosos desastres que desabaram sobre a humanidade no período da 2ª guerra mundial. No caso de Hitler, fomos testemunhas dessa automentira que revestiu a forma mais arrogante e exagerada que se pode imaginar.
Mas Hitler não foi senão o monstruoso símbolo das tendências materialistas de nossa época. Sua queda deveria ser o aviso de que o materialismo esgotou seus potenciais. O ultraje cometido por ele contra a dignidade humana trouxe ao mundo sua mais terrível provação.
Aqueles que se negam a avançar voluntariamente no caminho da perfeição ética e mental, deverão fazê-lo sob o impulso dos sofrimentos que esta atitude lhes valerá. Se a humanidade não tornar a aprender as práticas da meditação e as verdades da filosofia, todos os esforços dos reformadores serão vãos.
Nossa geração viu a fumaça das batalhas, assistiu a destruições furiosas, ouviu palavras de ódio pelos cinco continentes, testemunhou o terror e a tragédia das massas. Os que viviam satisfeitos com seus bens, com suas famílias, com a situação social, com suas crenças políticas e econômicas, descobriram pelas perdas sofridas que a vida tinha necessidade de alguma coisa mais para ser suportável.
O caráter único do que se mostrou como a mais destruidora das guerras, sacudiu homens e mulheres de seu torpor moral e mental. As pessoas tomaram consciência da natureza desesperante do materialismo. Esta guerra foi, portanto, uma iniciação trágica da humanidade à necessidade de uma ajuda interior e de uma compreensão mais profunda.
Hitler agia parcialmente como instrumento do karma coletivo. A guerra é uma objetivação externa dos apetites, do egoísmo, da sensualidade que enchem o coração e ocupam o espírito de milhões de pessoas.
O que a princípio toleramos e depois combatemos contra os nazistas, é somente a exteriorização, numa escala gigantesca, dos vícios que já combatíamos em escala muito reduzida em nosso próprio caráter. O tigre e a serpente espreitam sempre abaixo da superfície, embora muitos dentre nós tenham procurado acorrentá-los. Outros, ao contrário, procuram libertá-los.
O espírito de rapina e de agressão, as concepções egoístas e materialistas, não são particulares aos nazistas; têm representantes em todos os outros países. Em toda parte a perspectiva mental é distorcida e nela os homens fizeram do eu inferior seu Deus; aí sempre existiu o ódio racial, o ódio religioso; aí também se crê na virtude da força bruta, aí reina a cupidez racionalista e as forças do mal estão em ação.
A luta contra Hitler era, antes de tudo, uma luta contra os habitantes das regiões infernais que se serviram dele como instrumento humano a fim de impedir o despertar iconoclasta universal que, como eles bem sabem, deve produzir-se no decorrer do nosso século (século XX).
Cada guerra é travada em três planos: o técnico (com emprego de armas materiais), o mental (que significa o choque de ideias) e o moral (que representa o jogo de forças kármicas). Mas a segunda guerra mundial se travou também num quarto plano, foi uma luta dos espíritos do mal para se apoderar da alma e do destino das multidões que vivem sobre a terra.
A ciência moderna recolhe pacientemente fatos demonstrando que há mais do que simples probabilidade na existência da Atlântida, da qual Platão diz que era habitada por uma raça muito evoluída. Pouca gente sabe que a guerra que precedeu a destruição da Atlântida foi semelhante, em sua essência e importância, à que nós conhecemos agora.
As duas foram conflitos entre as forças do bem e do mal, competições colossais que tiveram como prêmio a questão do domínio da vida interior e exterior da humanidade.
Há em torno deste planeta uma faixa mental que guarda a escória do mundo espiritual, e nela as criaturas mais degradadas e perigosas dos seus habitantes. É a fonte em que Hitler e seus seguidores absorveram sua inspiração no curso de seus semi-transes secretos.
Este esforço titânico para escravizar corpos e dominar os espíritos, tem ainda uma outra significação, mais oculta e mais importante. As potências das trevas querem impedir as ideias divinas de subir ao nosso horizonte espiritual, e tentaram eliminar cada homem que detivesse fração que fosse destas boas ideias.
As potências das trevas, da ignorância e do mal dão de novo combate às potências que nos impelem na direção da luz, da sabedoria e do bem (ainda atualmente, no século XXI). Cada um deve intervir nesta luta sagrada. Ninguém pode permanecer neutro sem se enganar a si próprio. Não há mais lugar para simples espectadores. O conflito se desenvolve tanto no céu como na terra.
Achamo-nos agora no fim de um ciclo da história planetária, mas o novo já se abriu. Isso explica a presença simultânea de duas correntes contraditórias na civilização: por exemplo, o desejo descontrolado de prazeres sensuais ocupa continuamente o espírito de um grupo de homens que se julgam livres de suas responsabilidades e deveres; de outro lado, um grupo oposto que nutre o desejo ardente de elevar a consciência acima dos sentidos.
A humanidade está numa encruzilhada de sua existência social e não sabe ainda qual é o caminho que vai escolher. Um é somente a continuação do que já seguia e lhe parece o mais fácil. O outro leva a regiões desconhecidas, por caminhos cheios de riscos.
Se a humanidade escolher o primeiro caminho, a nova era, inaugurada no sangue e na violência, continuará a ser dominada pelos poderes das trevas; se escolhe o segundo, aos poucos diminuirá a violência e a paz verdadeira se estabelecerá.

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